Categoria: Crônicas

  • 05
    Jul 2016

    “PRIVATIZAÇÃO DA 232”

    “PRIVATIZAÇÃO DA 232”

    Artigo da jornalista Terezinha Nunes publicado no Blog do Jamildo e transcrito, aqui, com a devida autorização.

     

     

    Peça fundamental para a interiorização do desenvolvimento de Pernambuco, a duplicação da BR 232 na administração Jarbas Vasconcelos foi a mais festejada das obras realizadas com os recursos da privatização da Celpe, iniciada no Governo Arraes e concluída por Jarbas.

    Passar 6 horas para chegar a Caruaru em época junina era o drama dos pernambucanos apaixonados pelas festas no interior, antes de feita a duplicação.

     

    Durante muitos anos o verdadeiro tapete em que se transformou a estrada que antes envergonhava os pernambucanos, serviu para elevar a nossa autoestima e incentivar o renascimento do turismo, além de levar empresas a se instalarem ao longo da rodovia, favorecendo os municípios do seu entorno.

     

    Hoje, mais de dez anos depois, a 232 virou um problema em sua manutenção e este ano sua má conservação já obrigou algumas pessoas a percorrer a distância Recife-Gravatá em até 3 horas, nos horários de pico. Voltamos ao tempo anterior à duplicação.

     

    Discutir o que houve nesse período para a estrada ficar como está é chover no molhado. O que ficou claro nesse tempo foi que o estado não tem condições financeiras para manter a rodovia e ela vai acabar sendo destruída pelo tempo. Até mesmo as placas altas de sinalização sobre as pistas, de tão enferrujadas, ameaçam desabar sobre os veículos.

     

    Privatizar a rodovia sempre esteve na cabeça dos governantes do período. O próprio Jarbas já pensava nisso, o governador Eduardo Campos flertou com o assunto e o atual Paulo Câmara, antes de assumir, negou a intenção de privatizar mas deixou que seu secretário de transportes Sebastião Oliveira defendesse abertamente esta saída.

     

    Mas as providências vão ficando para trás e o sofrimento é de quem precisa ir ao interior e se livrar das emendas de asfalto que, em alguns locais, são verdadeiras armadilhas.

     

    A privatização interessa à sociedade? É possível que sim, desde que as pessoas sejam bem municiadas de informação. Se a resposta for não é necessário então que haja uma mobilização de todos – Assembleia Legislativa sobretudo - para garantir no orçamento de cada ano os recursos para a obra de recuperação ser iniciada.

     

    Se continuar como está a rodovia não dura muito tempo.

     

    Dizer o contrário é fechar os olhos para o problema à vista de todos. A privatização é polêmica? É, se não fosse certamente já teria sido tocada, mas é preciso pensar nela e, se for o caso, fazê-la antes que chegue o ano da eleição estadual.

     

    Pernambuco, com certeza, vai agradecer.

     

    Assessoria de Comunicação

     

    Terezinha Nunes

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 20
    Apr 2016

    PROFUNDA TRISTEZA

    PROFUNDA TRISTEZA

    Passado o impacto do primeiro momento, a angustia da procura e a imensa  dor do sepultamento tenho coragem de sentar de frente ao meu computador para escrever  algum a respeito do meu querido amigo Marcolino Junior, que de forma tão brusca foi arrancando do nosso convívio.

    Conheci Marcolino no inicio de minha vida profissional, um jovem assistente do colunista  Jotta Lagos que cresceu e se firmou na profissão, sempre gentil e educado com todos, ele conseguiu o respeito e credibilidade de sua sociedade .

    Da vida de menino pobre transformou-se num homem bem sucedido e já formando um patrimônio, patrimônio esse que fez crescer o olho mal do seu assistente.

    As festas que Marcolino promovia em Caruaru eram só alegria, impossível não ficar feliz diante do seu bom humor. Ele alegrava a vida dos que ao seu lado conviviam.  Ir a capital do forró e encontrar com Marcolino sempre foi uma das boas coisas de minha vida, até porque nossa amizade ultrapassou as fronteiras do colunismo social, nos tornamos amigos de fé, e essa amizade se estendeu com a minha família que o amava como a um LOPES. Meus filhos Hugo e Larissa e agora meu neto o chamavam de tio.

    Minha irmã mais velha , Expedita Lopes da Costa, foi convidada por ele para ser sua madrinha de Crisma, alegria essa que infelizmente não se concretizou.

    No dia do sepultamento de minha mãe por várias vezes chorei em seu ombro.

    Fizemos farras grandes tanto em Caruaru como em Garanhuns, pois com ele tudo virava festa. Nunca Marcolino deixou de me prestigiar e sempre foi uma das figuras mais queridas que tinha o prazer de receber em minhas festas.

    Profissional respeitado e querido atuou com destaque no Jornal Vanguarda e na TV Asa Branca.

    Hoje só me resta a dor e saudade pela grande perda por que passei.

    Quero deixar aqui um texto de Santo Agostinho que minha família usou na lembrancinha de nossa mãe e hoje eu dedico a você meu querido e inesquecível amigo.

     

     

    “ A morte não é nada. 
    Eu somente passei 
    para o outro lado do Caminho.

    Eu sou eu, vocês são vocês.
    O que eu era para vocês, 
    eu continuarei sendo.

    Me dêem o nome 
    que vocês sempre me deram, 
    falem comigo 
    como vocês sempre fizeram.

    Vocês continuam vivendo 
    no mundo das criaturas, 
    eu estou vivendo 
    no mundo do Criador.

    Não utilizem um tom solene 
    ou triste, continuem a rir 
    daquilo que nos fazia rir juntos.

    Rezem, sorriam, pensem em mim.
    Rezem por mim.

    Que meu nome seja pronunciado
    como sempre foi, 
    sem ênfase de nenhum tipo.
    Sem nenhum traço de sombra
    ou tristeza.

    A vida significa tudo 
    o que ela sempre significou, 
    o fio não foi cortado.
    Porque eu estaria fora 
    de seus pensamentos,
    agora que estou apenas fora 
    de suas vistas?

    Eu não estou longe, 
    apenas estou 
    do outro lado do Caminho...

    Você que aí ficou, siga em frente,
    a vida continua, linda e bela
    como sempre foi.”

     

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 13
    Apr 2016

    "IMPEACHMENT NA BOCA DO...

    "IMPEACHMENT NA BOCA DO POVO"

    Por Terezinha Nunes.

     

     

    Crônica publicada no blog do Jamildo e transcrita aqui com a devida autorização.

     

    Um dos mais destacados assuntos do final de semana nas redes sociais depois que enquadrou a presidente Dilma no Programa do Faustão, acusando-a de golpista – “se houve golpe, quem deu o golpe foi a senhora “ – o ator Ary Fontoura também ganhou destaque por outras considerações feitas na ocasião.

     

    Disse que, apesar do drama vivido pelos brasileiros hoje, “o país do futebol e do carnaval está agora também discutindo sua vida e seu futuro”, ressaltando que isso é altamente positivo.

     

    Na verdade, é quase unânime hoje, de norte a sul do país, a participação da crise em qualquer roda de conversa. Seja nas ruas, nos ônibus, nos metrôs, nas residências, nas praças, nos teatros, nas biroscas, onde estejam dois ou mais brasileiros, este tem sido o assunto preferido.

     

    A palavra impeachment, utilizada assim mesmo, em inglês, é difícil de ser escrita na língua original mas poucas são as pessoas que a pronunciam erradamente de tanto ouví-la em particular ou através dos meios de comunicação.

     

    O mais correto seria o aportuguesamento para “impedimento” mas o povo aceitou o nome, assim mesmo, em inglês. Nem o desespero dos petistas tentando defini-lo como golpe teve vez.

     

    O que todos se perguntam e pedem uma resposta a qualquer interlocutor mais informado é se a presidente vai ou não ser impeachada pelo Congresso Nacional.

     

    Estariam os brasileiros da mesma forma, caso tivéssemos tido todo esse mar de lama da corrupção mas a economia continuassem bem?

     

    É difícil saber mas a verdade é que nunca tantas crises se juntaram de uma só vez fazendo o povo, até então quase deitado em berço esplêndido, “acordar para Jesus” como costumam falar os cristãos.

     

    Há muitas pessoas que duvidam de que o simples impeachment vá dar uma resposta a todos que desejam um futuro melhor, sem todos esses os pesadelos que têm nos abatido, mas numa coisa quase todos concordam : não dá mais para continuar como está.

     

    As crises e a inércia da presidente que, flagrada em mentiras, parou de governar, tem sido ingrediente suficiente para se pedir a mudança do status quo. Se o mais próximo, mais palpável, é o impeachment, que seja através dele. Disso poucos duvidam. A não ser os que ainda se agarram ao poder ou dependem dele para o sustento a bordo de bons cargos comissionados ou de alguma sinecura governamental.

     

    A busca por saídas é tamanha que Dilma tem sido culpada até por coisas que ela não fez como aconteceu na semana passada no Recife quando as agências do Banco do Brasil ficaram fora do ar por algumas horas e, frustrados com as longas filas, a maioria dos clientes culpavam abertamente a presidente pela pane nos computadores do BB.

     

    Como reagirão os brasileiros, caso haja uma frustração na votação que se espera ? Ficarão desolados, vão se acostumar com o “destino”, ou cobrar ainda mais?

     

    Só o tempo dirá mas vai ser difícil, seja qual for o veredicto, mudar a médio prazo, pelo menos, o interesse que todos passaram a ter pela política e isto já é uma vitória, como lembrou Ary Fontoura.

     

    A tática da mentira e da admoestação estará sepultada por algum tempo. E as próximas eleições devem mostrar um eleitor bem mais atento e consciente na hora de dar o voto.

     

    A boca do povo voltou a falar.

    Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

     

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 06
    Apr 2016

    "PT APOSTA NA DIVISÃO...

    "PT APOSTA NA DIVISÃO ENTRE BRASILEIROS"

    Crônica publicada no blog do Jamildo e com a devida autorização transcrita aqui no blog Kitty Total.

     

    No período da colonização portuguesa, eclodiram no Brasil diversas revoluções libertárias que buscavam livrar o país do jugo português, muitas delas sangrentas.

     

    Apesar de acontecerem ora no Nordeste, no Sul ou no Sudeste, todas elas tiveram o sentido de unificar o país em torno daquela idéia de libertação. Jamais se pensou em dividir a Nação mesmo que, por seu tamanho, o país apresentasse dificuldades enormes para ser administrado.

     

    Hoje é ainda mais difícil pensar em separatismo de nossas regiões unificadas pela língua portuguesa, embora Sul e Sudeste tenham um nível de desenvolvimento bem superior ao das demais.

     

    Na era petista, porém, onde se estabeleceu um vale tudo para manutenção do poder, se tentou e se continua tentando, inclusive de forma aberta, jogar brasileiros contra brasileiros. Primeiro se procurou disseminar uma utópica luta de classes do “nós contra eles” que Lula, em sua linguagem popularesca, apelidou de ricos contra pobres.

     

    Até a esperada ascensão dos negros na sociedade foi colocada mediante uma contenda artificial como se só os petistas defendessem essa idéia e dela discordassem os demais partidos nacionais.

     

    Lula também jogou os nordestinos contra os paulistas. De tanto repisar nessa tecla, ele conseguiu que, em suas duas eleições e nas duas de Dilma, o Nordeste garantisse aos petistas mais de 70% dos votos válidos, apesar de o PT em si ser um partido fraco na região. Sempre disse que os paulistas eram representados nas eleições pelo maior partido de oposição, o PSDB.

     

    São famosos os discursos do ex-presidente contra as elites das quais ele e sua família passaram a fazer parte, conforme têm provado as investigações coordenadas pelos juiz Sérgio Moro. Também não se pode esquecer que os petistas sempre usaram a bandeira vermelha dos seus movimentos, deixando de lado a bandeira nacional, verde e amarela, da maioria dos brasileiros.

     

    Mas se a cizânia entre brasileiros incentivada pelos petistas tinha o objetivo, em passado remoto, de obter mais votos nas urnas, ela passou a ser uma obsessão e foi ganhando ares de guerra aberta desde que a Lava Jato foi criada e a corrupção dos governos petistas começou a ser desnudada aos olhos da sociedade.

     

    O próprio Lula ameaçou chamar “ o exército de Stedile” e incitou as centrais sindicais a combater a “ República de Curitiba” e a Operação Lava Jato, como se fosse possível separar a justiça do Paraná do grosso da justiça brasileira.

     

    Mais ousada ainda tem sido, nos últimos dias, a presidente Dilma que, do seu posto, onde deveria representar toda a população, continua disseminando o ódio entre os brasileiros, na tentativa desesperada de manter seu mandato.

     

    Entrincheirada, tem levado ao Palácio do Planalto líderes sindicais e de movimentos sociais para insuflar uma contenda contra os que defendem seu impeachment. Foi num desses encontros que o presidente da CUT, Wagner Freitas, conclamou os movimentos sociais a “irem às ruas, entrincheirados, de armas na mão, se tentarem derrubar a presidente”.

     

    O secretário de Finanças do MST, Aristides Santos, foi mais longe. Diante de uma Dilma sorridente afirmou “ a forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles nas bases e nos campos”.

     

    No Senado, o líder do PT, senador Humberto Costa, que acompanha os passos da presidente, ameaçou na semana passada o vice-presidente Michel Temer afirmando , não se sabe com que base, que ele cairá logo depois que Dilma for impeachada. O deputado federal petista João Daniel também vociferou no plenário da Câmara: “ esse impeachment terá cor de sangue”.

     

    Em que tudo isso vai terminar? Espera-se que a maioria dos brasileiros que não desejam e nem nunca desejaram estabelecer uma guerra entre irmãos façam valer sua decisão de continuar nas ruas, pacificamente, lutando por princípios, sem cair na tentação de responder aos que desejam partir para o tudo ou nada.

     

    Afinal ninguém de bom senso pode desejar outra coisa que não seja a paz nas ruas e nos lares brasileiros. Se o PT quer o contrário, que a Justiça se encarregue de colocar os verdadeiros pontos nos iis.

     

     

    Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 09
    Mar 2016

    LULA E DILMA, ABRAÇO DE...

    LULA E DILMA, ABRAÇO DE AFOGADOS

    Crônica publicada no Blog do Jamildo e transcrita aqui com a devida autorização.

    No fim do primeiro semestre do ano passado, quando a presidente Dilma já tinha sua popularidade afetada pelas diversas crises que aí estão, o ex-presidente Lula anunciou que andaria pelo país para convencer a população a aliar-se à sua pupila. Imaginava-se capaz, como acontecera outrora, de usar sua conhecida oratória para fazer o PT criar ânimo e se preparar para o que estava por vir. Dar uma espécie de volta por cima.

     

    A operação, como se sabe, não ocorreu. Lula deve ter percebido que não seria bem recebido nem mesmo no Nordeste onde Dilma teve mais de 70% dos votos válidos em 2014 mas já amargava índices de desaprovação semelhantes aos do Sudeste. Na época, nem o próprio Lula estava com essa bola toda entre os eleitores nordestinos, incluindo os mais pobres que o tinham como um verdadeiro pai.

     

    Agora, acuado, nervoso, desesperado depois que teve que depor na Polícia Federal, Lula volta a falar em andar pelo país e até levar Dilma junto.

     

    Na linguagem popular nordestina, porém, Lula e Dilma estão mais para simbolizar o “morto-carregando-o-vivo”, personagem do folguedo popular pernambucano Bumba-meu-Boi, do que para protagonistas de qualquer coisa.

     

    Se há oito meses era apenas Dilma que estava afundando – ele ainda era respeitado e temido – hoje os dois são lados da mesma moeda.

     

    Dilma já foi carimbada de incompetente e esse era o maior peso que carregava até a semana passada mas, depois da delação do senador petista Delcídio do Amaral, que a acusa de ter nomeado um ministro do STJ com o objetivo de favorecer réus da Lava Jato, foi envolvida no mar de lama da corrupção que dominou o PT e maculou sua própria reeleição em 2014.

     

    Da mesma forma que Lula que, segundo Delcídio, teria mandado pagar R$ 250 mil à família de Cerveró para que ele não delatasse seu amigo e empresário José Carlos Bumlai, Dilma teria praticado o crime de tentar obstaculizar as investigações realizadas pela PF, MPF e pelo juiz Sérgio Moro.

     

    A verdade, porém, é que Lula e Dilma, que ensaiaram por diversas vezes um distanciamento, agora se encontram novamente juntinhos e solidários na dor.

     

    Tão juntos que, enquanto o PT e o próprio Lula alimentavam a esperança de jogá-la às traças para salvar o ex-presidente, agora aconteceu o contrário. Dilma foi recebida na casa de Lula neste sábado em São Bernardo como uma tábua de salvação.

     

    Saudada pelo anfitrião e por um grupo de militantes convocados para tirar o clima de velório do encontro entre os dois líderes até alguns tempos atrás saudados como verdadeiros salvadores da pátria, ainda foi levada à varanda do apartamento com Lula e Dona Marisa para mandar adeusinho aos militantes.

     

    Num autêntico abraço de afogados, Lula e Dilma estão querendo se agarrar um ao outro mas, pelo andar da carruagem, vão acabar sucumbindo juntos.

     

    Além da popularidade baixa de ambos, as teias da Lava Jato se enroscam cada vez mais em torno dos dois.

     

    Não há escapatória. Afinal, o mar não está pra peixe e as ondas são gigantescas.

     

     

     

    --

    Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 22
    Feb 2016

    "A POLÊMICA SOBRE ABORTO...

    "A POLÊMICA SOBRE ABORTO E MICROCEFALIA"

    Artigo transcrito do blog do Jamildo com a devida autorização

     

    Até o mais aguerrido dos abortistas reconhece que é dificílimo para uma mãe decidir fazer um aborto. Concebida com direito a procriar, a mulher pode carregar para o resto da vida a culpa por uma atitude dessas.

    Se alguém tem dúvida, basta verificar o sofrimento de mães que abortam naturalmente. Muitas se desestabilizam emocionalmente de forma preocupante.

    Há as que, aparentemente, encaram e tratam o tema como algo normal e não se abalam, quer no caso de aborto espontâneo ou provocado. Mas são minoria.

    Alheio a essa realidade o tema do aborto ganhou força, nos últimos dias, no Brasil a partir de um pronunciamento da Organização Mundial de Saúde sobre a provável ligação do zika vírus com a microcefalia e levantando a possibilidade do direito ao aborto nessas condições.

    Cristãos não católicos como os anglicanos, por exemplo, admitem discutir a questão. Ao mesmo tempo grupos defensores do direito ao aborto se articulam para provocar o Supremo Tribunal Federal sobre o assunto.

    Além do tema do aborto ser polêmico independente de religião e de não contar com o apoio da maioria da população brasileira que, através de seguidas pesquisas, tem se posicionado contrária à sua adoção indiscriminada no país a discussão tem gerado mais dúvidas do que certezas na cabeça das mulheres, muitas delas apavoradas com o que está acontecendo.

    O presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, pôs o dedo na ferida ao manifestar, mais uma vez, a posição da Igreja Católica contrária ao aborto e alertar para o perigo da prática da eugenia. A eugenia é uma ciência que busca o aprimoramento genético da espécie humana de forma a ter pessoas cada vez mais perfeitas. Hitler usou este processo na Alemanha quando, ao defender a supremacia da raça ariana, matou milhões de judeus que, para ele e seus seguidores, eram pessoas imperfeitas.

    Na semana passada a celeuma ganhou novos contornos a partir do que vai se divulgando a respeito da zika e a microcefalia. Estudiodos apontam que é preciso que o bebe tenha 32 semanas de vida para se ter certeza de que tem microcefalia.

    O coordenador de Medicina Fetal do Cisam, Pedro Pires, advertiu que não se trata de um simples aborto mas de uma interrupção prematura da gravidez. “ Nesse caso – acrescentou – o bebe vai nascer vivo. E quem vai decidir se ele continuará vivo ou não?”

    Em geral, quando falam de aborto as pessoas se referem a crianças de poucas semanas de vida. Embora essas tenham direito a viver da mesma forma que as demais, uma coisa é a provocação de um aborto logo após a confirmação da gravidez e outra já perto da hora do nascimento, o que é muito mais complexo e polêmico. Uma criança de 8 meses pode tranquilamente sobreviver, mesmo se a mãe fizer um parto prematuro.

    Sabendo disso, os grupos favoráveis ao aborto, mudaram o discurso e já pensam em solicitar ao STF que as mulheres estando grávidas e tão logo constatem que tiveram zika sejam autorizadas a abortar.

    Essa teoria é ainda mais polêmica. Sabe-se que muitas mulheres que tiveram zika não geraram bebes com microcefalia. Essas mães, diante da incerteza, vão querer fazer o aborto? Mesmo admitindo que não desejem um filho com problema elas não serão ainda mais afetadas psicologicamente ao descobrirem que os filhos eram perfeitos e, mesmo assim, foram abortados?

     

    Todas essas questões demonstram que vai ser grande, difícil e penoso o debate sobre o tema que só está se iniciando. Melhor seria que se gastasse em primeiro lugar as energias para conseguir que as mães de filhos microcéfalos fossem amparadas, imediatamente, pelo estado, recebendo ajuda mensal e todo o aparato necessário para que essas crianças enfrentassem de uma melhor forma as sequelas deixadas pela doença.

     

    --

    Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 04
    Feb 2016

    FORA DILMA

    FORA DILMA

    EXPOENTES DA ESQUERDA ADEREM AO FORA DILMA

     

    Crônica publicada no Blog do Jamildo e transcrita aqui com a devida autorização.

     

    Para evitar que grupos de esquerda acabassem aderindo à tese do impeachment, incluindo os movimentos sociais, o PT se apressou a “vender” a teoria da “conspiração” e do “golpe” no ano passado para rebater a tese do impeachment que, aliada ao desgaste do presidente da Câmara Eduardo Cunha, fizeram com que arrefecesse a pressão das ruas pelo afastamento da presidente no final do ano. 

    Já se sabia, porém, que o convencimento existente na sociedade de que Dilma não tem mais condições de governar – o que tem se agudizado por conta da crise econômica – acabaria por fazer com que a tese do impedimento voltasse com força no início deste ano.

     

    E foi o que aconteceu. Não é àtoa que a ex-senadora Marina Silva, fundadora da Rede, e Luciana Genro, fundadora do PSOL, concederam entrevistas recentemente defendendo a saída da presidente.

    Marina, uma das que trabalharam abertamente contra o impeachment mudou de opinião. Agora diz que impeachment não é golpe mas acha que é difícil implementá-lo passando a defender a cassação da presidente e do vice, através do processo a ser julgado pelo TSE por abusos cometidos durante a campanha. Segundo ela, a cassação via TSE permitirá uma nova eleição, sepultando a aliança PT/PMDB, que produziu os desmandos atuais.

    Luciana continua contra o impeachment mas diz que Dilma precisa entender que não tem mais condições de construir as bases necessárias para tirar o país da grave crise em que se encontra e acha que a presidente deve renunciar e convocar eleições : “a forma de resolver o imbróglio é devolver a soberania a quem ela pertence: o povo”.

     

    Não há dúvida de que a crise se agravando, como está previsto, e o desemprego aumentando junto com a inflação, tanto Marina quanto Luciana podem acabar aderindo mesmo ao impeachment se for esta a única forma de tirar a presidente do cargo.

     

    O fato, porém, de estarem convencidas de que Dilma não tem mais condições de continuar no comando da Nação é uma evolução e tanto que deve ser considerada nos próximos passos a serem dados pelo Congresso Nacional e pela própria justiça, no caso, o STF, que regulamentou o impeachment dificultando sua tramitação e desagradou a muita gente, e o TSE que vai marcar o julgamento da ação interposta pelo PSDB solicitando que a presidente e seu vice sejam afastados por ter cometido crimes eleitorais.

    Os discursos de Marina e Luciana, ambas presidenciáveis em 2014, embora com palavras diferentes, correm no mesmo sentido. Ambas consideram que a crise vai se agravar e que Dilma terá mais ainda dificuldades para governar. “Dilma não tem mais liderança política no país e nem no Congresso” – afirma Marina, apontando para a necessidade de afastamento.

     

    Luciana, como posto acima, não é tão direta mas descredencia Dilma dizendo que a presidente mudou o ministro mas é a verdadeira condutora da política econômica que, segundo ela, só penaliza os trabalhadores. Luciana conclui que nenhum movimento social vai para a rua defender a política econômica da presidente.

    O desgaste do ex-presidente Lula vai, certamente, aumentar o número dos expoentes de esquerda que passarão a se enquadrar na turma do Fora Dilma até para tentar reduzir o vexame que será continuar defendendo a presidente até outubro de 2018.

     

    --

    Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

     

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 25
    Jan 2016

    500 ANOS DE HENRIQUE VIII

    500 ANOS DE HENRIQUE VIII

    Por Angelo Castelo Branco

    Da série Crônicas Domingueiras para celular

     

    Ligo para Moisés. Você esteve presente no batizado de Henrique VIII?

    Claro que não. Aqui em Cambridge minha rotina de aulas e estudos é muito dura. Os colégios daqui são muito exigentes. Nem tenho muito tempo para coisas assim.

    Então, amigo, tome um trem amanhã de manhã e venha até Londres. Tenho convite para a solenidade e exposição comemorativa dos 500 anos de Henrique Oitavo. Você pode vir comigo.

    E assim, um atônito é surpreendido Moisés viu-se numa parada de barco, num cais do Tâmisa, onde embarcaríamos até o Observatório Real de Greenwich a zero grau de longitude que divide o Globo terrestre em ocidente e oriente .

    Era lá que estava a grande exposição de roupas e objetos pessoais do rei que comemorava 500 anos.

    O primeiro barco que tomamos parecia esquisito. O piloto usava um boné com a aba para trás e tomou a direção contrária da que iríamos.

    Eu chamei a atenção do erro e o cara fez uma volta de 180 graus em pleno Tâmisa, com alta velocidade para nos deixar novamente no ponto de partida.

    Minutos depois chegou o barco do sistema público de transportes e conseguimos o rumo certo . Eu nunca pude imaginar uma situação dessa aqui, repetia o perplexo Moisés ainda impactado com o barco errado do cara meio doido do sentido contrário.

    Chegamos ao evento. Meu convite tinha impresso os símbolos da realeza e me arrependi por te-lo entregue às pessoas que nos recebiam na entrada do salão. A exposição foi inaugurada pela rainha Elizabete e sua família real .

    Dezenas de vitrines com roupas, armas chapéus, armaduras, objetos e adereços de Henrique VIII desfilavam aos nossos olhos. 500 anos de uma história que executou mulheres, apartou a Inglaterra de Roma e fez surgir a igreja Anglicana por conta do temperamento coronelista de um rei corpulento e insaciável .

    Moisés gostou da visita e voltou para Cambridge onde sua mulher Monica o aguardava para o jantar. Terminei o dia num pub da Buckingham Gate. Henrique Oitavo mandou uma mensagem de agradecimento

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 13
    Jan 2016

    "CATÓLICOS SE AFASTAM DO...

    "CATÓLICOS SE AFASTAM DO PT"

     

    Não se tem notícia de que o ex-presidente Lula seja católico. A presidente Dilma, por sua vez, causou vexame na campanha para o seu primeiro mandato quando, levada pelo então deputado federal Gabriel Chalita a uma missa na Basílica de Aparecida, precisou levar um cutucão público para poder fazer o sinal da cruz antes da leitura do evangelho, como faziam os demais fiéis.

     

    Apesar disso, o próprio Lula reconhece em vídeos exibidos na Internet a influência da chamada esquerda católica na fundação do PT, em 1980, quando a maioria dos integrantes das comunidades eclesiais de base, criadas sob inspiração da Teologia da Libertação, se filiou ao novo partido acreditando que estava seguindo os preceitos do Concílio Vaticano II na sua opção preferencial pelos pobres.

     

    Em 1988 chegou-se a propagar que, por influência da comunidades de base e de padres e bispos simpatizantes, o PT conseguira grande expressão na eleição daquele ano sobretudo em São Paulo.

     

    A euforia dos primeiros simpatizantes petistas no seio da Igreja Católica, porém, foi arrefecendo com o passar dos anos, como afirma o professor Imerson Alves Barbosa, da Unesp, em sua tese “ A esquerda católica na formação do PT” quando os católicos começaram a se convencer que pouca influência estavam exercendo na legenda cada vez mais comandada pelo grupo mais ligado ao ex-líder operário Lula da Silva, interessado em abrir mão de vários princípios para chegar ao poder.

     

    Oficialmente, porém, o primeiro que mostrou desconforto público foi o Frei Beto que abandonou a equipe de Lula, logo no primeiro mandato, quando o seu programa Fome Zero foi substituído pelo bolsa família. Apesar de continuar amigo de Lula, Frei Beto virou dissidente e nunca mais se aproximou do poder.

     

    O professor Imerson afirma na tese escrita antes dos atuais escândalos de corrupção que “ no PT há muito pouco ou quase nada das idéias e princípios propostos pelos grupos sociais <TB>que participaram de sua formação, Some-se a isso, o momento histórico, as injunções políticas, que fizeram os cristãos reavaliarem sua participação política como grupo no interior do PT”.

     

    Hoje, pode-se dizer que são poucas as lideranças leigas católicas e até padres – não se tem notícia de bispos – que demonstram simpatia pelos petistas. Após os casos de corrupção então cresceu no seio da Igreja até uma certa ojeriza aos petistas depois que Dilma declarou-se abortista. A presidente chegou a negar mas o clima não arrefeceu.

     

    Este final de semana a imprensa paulista citou o caso do padre Julio Lancellotti, , da Pastoral do Povo de Rua, em São Paulo, que, em entrevista, anunciou praticamente o seu rompimento com o prefeito petista Fernando Haddad, acusando-o de estar abandonando o trabalho com os pobres.

     

    Esta terça-feira mais um alento aos católicos que discordam do PT veio de Roma onde o Papa Francisco lançou o seu livro “O nome de Deus é a misericórdia”. O livro não se refere aos petistas e nem apenas aos brasileiros mas vem a calhar no momento em que o PT responde pelo maior caso de corrupção da história brasileira.

     

    Francisco diz em seu livro que a corrupção é um pecado e , apesar de recomendar o perdão aos pecadores arrependidos, afirma, em outras palavras, que os corruptos são os mais difíceis de alcançar a conversão “ A corrupção é o pecado que, em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, se tornou um sistema, uma forma de vida”. Segundo ele os corruptos “Não sentem necessidade de perdão e de misericórdia, mas justificam-se e aos seus comportamentos…….. “

     

    Certamente que o PT não esperava por essa logo agora que afunda-se cada vez mais nas denúncias de corrupção em quase todos os setores em que pôs a mão.

     

    Depois não se conhece um católico disposto a contrariar os ensinamentos de Francisco aceitos por todos os cristãos – inclusive os não católicos – e até por ateus no mundo inteiro.

     

     

     

     

    --

    Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 22
    Dec 2015

    NEGÓCIO DOS VENTOS

    NEGÓCIO DOS VENTOS

    ENERGIA EÓLICA E OS DESAFIOS SOCIOAMBIENTAIS

     

    Heitor Scalambrini Costa

    Professor da Universidade Federal de Pernambuco

     

     

    A partir de 2007, ano a ano, o crescimento da geração eólica no país chama a atenção.  Se há nove anos a potencia instalada era de 667 MW, em 2015 chegou a 8.120 MW, ou seja, um aumento de 12 vezes. Verifica-se também que vários municípios brasileiros sofreram mudanças radicais com alterações bruscas em suas paisagens e no modo de vida de suas populações. Essas mudanças representam o início de um novo ciclo de exploração econômica, o chamado “negócio dos ventos”.

     

    Várias são as razões que tem atraído estes empreendimentos a nosso país. Além da crise econômica mundial de 2008 que provocou uma capacidade ociosa na Europa, e assim equipamentos chegaram até nós com preço vantajosos; sem dúvida a “qualidade dos ventos”, em particular na região Nordeste é outro grande atrativo. E é neste território, onde hoje se concentra 75% de toda potencia eólica instalada no país.

     

    Determinados Estados criaram políticas próprias de incentivo à energia eólica, com Isenções fiscais e tributárias, concessão de subsídios, flexibilização da legislação ambiental (p. ex. Pernambuco aboliu os estudos ambientais  EIA/RIMA). Associados aos financiamentos de longo prazo do BNDES (e mais recentemente da Caixa Econômica Federal), e ao preço irrisório da terra, estas tem sido as razões principais para atrair os empreendedores. É o resultado da combinação destes fatores que possibilita que a energia eólica ofereça preços imbatíveis nos leilões realizados pela Aneel. Tornando assim à segunda fonte energética mais barata. Esta situação esconde o fato dos custos ambientais e sociais decorrentes da implantação dos complexos eólicos serem altos, embora não sejam contabilizados nos "custos" da geração, pois não são pagos pelos empreendedores, e, sim, por toda a sociedade.

     

    Ao mesmo tempo em que esta atividade econômica teve uma rápida expansão, gerou impactos, conflitos e injustiças socioambientais.São visíveis os impactos provocados por esta fonte renovável, chamada por muitos de energia limpa. Define-se por energia limpa aquela que não libera, durante seu processo de produção, resíduos ou gases poluentes geradores do efeito estufa e do aquecimento global. Ou ainda, que apresenta um impacto menor sobre o ambiente do que as fontes convencionais, como aquelas geradas pelos combustíveis.

     

    Todavia nas “definições” de energia limpa não são levadas em conta as questões sociais e mesmo ambientais causados pela produção industrial da eletricidade eólica que necessita de grandes áreas, e um volume considerável de água, devido ao alto consumo de concreto para a construção das bases de sustentação das turbinas. Impactos sobre o uso de terras é quantificado pela área ocupada, sendo que em geral, as turbinas eólicas ocupam 6 a 8 ha/MW, a um custo médio de R$ 4,5 milhões/MW. Sem duvida, poderia ser argumentado que estas áreas sejam compartilhadas, como ocorrem em outras partes do planeta, ou seja, utilizada concomitantemente para outros propósitos, como agricultura, criação de pequenos animais, .... Mas isto não vem acontecendo.

     

    Logo, o modelo adotado de implantação dessa atividade econômica no Brasil é em si, causador de inúmeros problemas ao meio ambiente e as pessoas. Os parques eólicos têm deixado profundos rastros de destruição na vida das comunidades atingidas (exemplos não faltam).  Não somente com a instalação dos aerogeradores, mas desde a obtenção do terreno (pela compra, ou pelo arrendamento), sua preparação (desmatamento, terraplanagem, compactação, abertura de estradas de acesso dos equipamentos), a construção das linhas de transmissão. Destrói territórios, desconstitui atividades produtivas e desestrutura modos de vida de subsistência.

    Tem agravado a situação a velocidade em que os parques eólicos estão sendo instalados, sem o devido acompanhamento e fiscalização, sem que requisitos socioambientais sejam atendidos e cumpridos.

     

    Na questão da terra necessária para produzir energia em larga escala, os empreendedores vão comprando, ou arrendando as terras da população local. São na verdade desapropriações feitas pela iniciativa privada como parte de estratégias agressivas para implantação dos complexos eólicos, que acabam inviabilizando a sobrevivências de outras atividades econômicas locais, como a pesca artesanal, a cata de mariscos, a agricultura familiar, a criação de animais, ....  Assim comunidades inteiras são afetadas na sua relação com o território e muito pouco, ou quase nada recebem em troca.

    Várias situações marcaram e ainda marcam a presença de empresas eólicas. O discurso do ambientalmente correto esconde práticas socialmente injustas das empresas do grande capital, evidenciadas cada vez mais com o passar do tempo. Para implantação dos parques e complexos as empresas utilizam de diferentes expedientes como a celebração de contratos draconianos com proprietários e posseiros, a compra de grandes extensões de terras, a apropriação indevida de áreas com características de terras devolutas e de uso coletivo.

     

    Os contratos celebrados põem em dúvida os princípios de lisura e transparência da parte das empresas. Os trabalhadores se sentem pressionados a assinarem os contratos sendo proibidos de analisarem o conteúdo de maneira independente, sempre induzidos por algum funcionário das empresas.

     

    Quem continua a viver nessas regiões quase sempre enfrenta a impossibilidade de continuar a produção local, de manter seu modo de subsistência. A atividade eólica, tanto costeira ou interiorizada acaba com as condições de sobrevivência no lugar e em seu entorno, gerando poucos empregos de qualidade para os moradores da região, e deixando lucros bem limitados. Tudo isso depois da euforia da etapa de instalação dos equipamentos, com as obras civis, que acabam atraindo por tempo determinado, trabalhadores locais e de outras regiões. Depois das obras concluídas vem à rebordosa, com as demissões. Assim tem acontecido. Cria-se a ilusão de prosperidade com o apoio da propaganda enganosa. O discurso da geração de renda e emprego faz parte da estratégia.

    Com relação à agressão ambiental têm sido atingidas áreas costeiras com a destruição de manguezais, restingas, remoção de dunas, provocando efeitos devastadores para pescadores, marisqueiras, ribeirinhos. Tais situações tem  sido constatadas no Ceará e Rio Grande do Norte.

     

    Em estados como Bahia, Piauí e Pernambuco a exploração desta atividade ocorre no interior, em áreas montanhosas, de grande altitude, no ecossistema Caatinga e Mata Atlântica (ou o que sobrou dela). E também nos brejos de altitude, existente em Pernambuco e na Paraíba, verdadeiras ilhas de vegetação úmida em meio ao ecossistema seco da Caatinga, onde a vegetação existente são resquícios da Mata Atlântica primária, proliferando mananciais de água que formam os riachos abastecedores de bacias hidrográficas. Portanto são áreas onde se deveriam incentivar a conservação, preservação e a recuperação destes ecossistemas naturais, dos seus mananciais  e cursos de água.

     

    Todavia, o movimento das administrações municipais, estaduais e federal caminha em sentido contrário ao de proteger estes santuários da vida. Além da omissão e conivência incentivam e promovem o desmatamento de áreas de proteção permanente em nome do “desenvolvimento econômico”, da geração de emprego e renda, justificando a destruição ambiental e a vida das populações nativas em nome do interesse público (?).

     

    A produção de energia elétrica a partir dos ventos hoje é uma atividade econômica, cujo modelo de exploração implantado, causa inúmeros problemas afetando diretamente a qualidade de vida das pessoas. Contribuindo mais e mais para ampliar um fenômeno que já atinge uma parte importante do território nordestino a desertificação. A produção de energia eólica é necessária, desde que preserve as funções e os serviços dos complexos sistemas naturais que combatem as consequências previstas pelo aquecimento global. Mas também se preserve as populações locais e seus modos de vida.

     

    Afinal a quem serve este modelo de implantação em que o estado cooptado se omite e não fiscaliza? O que se constata são aspectos negativos que poderiam ser evitados, desde que houvesse o interesse e uma maior preocupação dos governantes quanto aos métodos e procedimentos, uma avaliação mais rigorosa dos licenciamentos que levasse em conta a análise de alternativas locacionais e tecnológicas, assim minimizando os impactos desta fonte energética.

     

    Logo, não se pode considerar, levando em conta como estão sendo implantados os atuais projetos eólicos, nem que sejam socialmente responsáveis e nem que sejam ambientalmente sustentáveis. Longe disso.

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 21
    Dec 2015

    SONS DA ALMA

    SONS DA ALMA

    (Da série Crônicas e Contos Domingueiros para celular )

     

    Por Angelo Castelo Branco

     

    As Rosas não falam e Chão de Estrelas. São universais porque ambas têm uma raiz na erudição e outra na alma das pessoas. O gênio Cartola e a dupla Orestes Barbosa e Silvio Caldas são privilegiados porque atingiram esse nível de percepção, de saber como mexer com as notas musicais e produzir arranjos e poesias tão ajustados que seria impossível dissociar umas de outras.

    São eternas porque dizem respeito a um sentimento interior magicamente coletivo que raros intelectuais e políticos conseguem perpetuar na cabeça e no coração das criaturas. Essas coisas balançam a gente. Fazem refletir e sonhar.

    Quem já passou da curva dos 60 e teve uma escolaridade básica razoável, há de entender porque Cole Porter. Ele morreu em 64 e deixou pelo menos duas imortais: Night and Day e Beguin The Beguine gravadas pelos mais famosos intérpretes norte-americanos durante praticamente todo o Século XX.

    Cole Albert Porter não era um cara normal. Gostava de orgias em hotéis de luxo e costumava vestir os lingeries das poderosas mulheres que o amaram.

    Ele estava longe de ser um macho latino, mas elas o amaram pelo talento e pela competência com que sabia viver.

    Passou seus últimos anos morando no notório hotel Waldorf Astoria em NYC. Quando criança, a música de Cole Porter me embalava e eu dormia serenamente. Desde então aprendi que para se gostar de uma música e de seus arranjos em formatos de jazz ou em versões mais ousadas, é imprescindível que se goste muito da gravação original.

    Ela tem que ir fundo na sua alma para você recebe-la de braços abertos (e ouvidos) se interpretada por outros virtuosos. Porter é tão erudito quanto Cartola, Orestes Barbosa e Silvio Caldas. A magistral Diane Warwick gravou um álbum há uns dez anos, todo dedicado a Cole Porter. Faz bem a quem ouve.

    A propósito, prestem atenção a uma música dos anos 60 ou 70 – Love Won’t Let Me Wait.

    O perfeccionista Luther Vandross, morto precocemente em 2005, atinge a perfeição numa interpretação soul e erudita com o auxílio luxuoso de uma sinfônica. Quem curte essa música em suas versões original e anteriores, sabe o que estou dizendo.

     

    Bom domingo

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • 01
    Dec 2015

    LEVANTA DA CADEIRA,...

    LEVANTA DA CADEIRA, PRESIDENTE!

    Crônica publicada no blog do Jamildo transcrita aqui com a devida autorização.

    Terezinha Nunes pede renúncia de Dilma

    A falta de paciência com a demora na solução das crises políticas brasileiras, sobretudo quando dependem de um ato de vontade, levaram em anos recentes a episódios inusitados e de alta repercussão na sociedade. “Sai daí, sai rápido, Zé,” bradou em depoimento na comissão de ética da Câmara em 2005 o deputado Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão e culpou o ministro da casa civil, José Dirceu, de ter comandado o esquema.

    Há duas semanas foi a vez da deputada federal tucana Mara Gabrilli passar uma descompostura no presidente da Câmara Eduardo Cunha que teima em presidir a casa sem ter mais condições para isso : “O senhor não consegue mais presidir. Levanta dessa cadeira, por favor” – afirmou Mara.

    Depois desses dois desabafos, Zé Dirceu não foi mais o mesmo. Acabou afastado e hoje está preso, como todos sabem. O deputado Eduardo Cunha teima em continuar onde está mas ninguém mais aposta em sua permanência.

    Um simples desabafo, mesmo que ecoe na sociedade, como foram os casos, não é capaz de derrubar “majestades” como Dirceu e Cunha mas, ditos na hora apropriada, foram o empurrão final na boca do despenhadeiro.

    Da mesma forma, uma frase, um gesto, não serão suficientes para convencer a presidente Dilma a renunciar, fazendo o que nove entre dez brasileiros desejam nesse momento, a julgar pelo seu baixo índice de aprovação. Poucos, porém, acreditam que ela conseguirá se manter no cargo até o final do seu mandato.

    Aparentemente livre do impeachment até o final do ano – sobretudo depois que Cunha assumiu o protagonismo da crise envolvendo-se até o último fio de cabelo na corrupção – Dilma vê a cada dia os problemas se agudizarem sem qualquer saída à vista.

    O final do ano se aproxima, a inflação chega aos dois dígitos, o desemprego já atinge 9 milhões de trabalhadores de carteira assinada, milhares de prefeituras vão deixar de pagar o 13.o salário e o mal desempenho das vendas no comércio até agora já arrepiam os cabelos dos comerciantes que, em tempos normais, faturam no mês de dezembro o suficiente para segurar a baixa temporada entre janeiro e março.

    Quem tinha esperança em 2016, apesar dos prognósticos negativos, caiu na real quando o próprio Palácio do Planalto já prevê que o PIB será negativo em 1,9% no próximo ano – antes a projeção era de 0,2% – e que a inflação permanecerá fora da meta. O desemprego ninguém sabe ainda onde vai parar.

    Para completar o quadro, o episódio do senador Delcídio Amaral, preso e desmoralizado ainda na condição de líder do Governo e a delação de Nestor Cerveró que vai contar a verdade sobre Pasadena e o que Dilma sabia da manobra, pode colocar uma pá de cal na reputação da presidente e deu criador Lula da Silva.

    Quem de alguma forma ainda tinha dúvida de que poderia se segurar não acredita mais. O senador Aécio Neves é claro: “a presidente não tem mais condições de governar o país”.

    O deputado federal Jarbas Vasconcelos, do PMDB, vaticina: “ se não renunciar sofrerá impeachment. Não há como segurar”.

    O “levanta da cadeira, presidente” só terá efeito imediato se a população se mobilizar, é o que todos acreditam. As próximas semanas pela crise e pela Lava Jato podem provocar isso. Disso não se tem mais dúvida.

    O impeachment ou a renúncia nunca chegaram tão perto da presidente.

     

    Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

     

    Postado por: Kitty Lopes

    Marcadores: Crônicas

  • Primeira Página123Última Página